Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em forte alta nesta quarta-feira (13), com um avanço de 2,21% perto das 16h30, cotado a R$ 5,0035. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 1,83% no mesmo horário, aos 177.047 pontos.
Além do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, o mercado também reagiu a novos sinais do cenário eleitoral brasileiro. Lula voltou a aparecer numericamente à frente de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para um eventual segundo turno, embora os dois permaneçam em empate técnico.
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Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 41%. Na sondagem anterior, divulgada em abril, o senador liderava, após ambos terem empatado com 41% em março.
O cenário eleitoral influencia os preços dos ativos ao moldar as expectativas dos agentes econômicos. Para parte dos investidores, a continuidade do governo atual poderia reduzir a probabilidade de ajustes mais robustos nas contas públicas, o que tende a pressionar o dólar e pesar sobre o Ibovespa.
O encontro entre os presidentes Donald Trump Xi Jinping concentra as atenções do mercado financeiro no cenário global. O encontro acontece em meio a tensões entre as duas maiores economias do mundo, e a expectativa é que Trump pressione o governo chinês a abrir o país para empresas americanas. (entenda mais abaixo)
A guerra no Oriente Médio também segue na mira dos investidores. Em meio às tentativas de negociação de paz entre os Estados Unidos e o Irã, Reino Unido informou que vai contribuir para uma missão multinacional de defesa com o objetivo de assegurar a navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zera a cobrança de tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas de comércio eletrônico.
A chamada “taxa das blusinhas” havia sido criada por lei em 2024, com alíquota de 20% para encomendas nesse valor, em uma tentativa de conter a entrada de produtos importados e reduzir a concorrência com a indústria nacional, especialmente de empresas chinesas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Dólar
a
Acumulado da semana: +0,03%;
Acumulado do mês: -1,14%;
Acumulado do ano: -10,81%.
Ibovespa
Acumulado da semana: -2,05%;
Acumulado do mês: -3,72%;
Acumulado do ano: +11,93%.
Encontro entre potências
A viagem do presidente americano, Donald Trump, com um grupo de executivos para a China fica no centro das atenções dos mercados financeiros nesta quarta-feira. Esse é o primeiro encontro bilateral entre os dois países desde 2017.
O encontro do republicano com o presidente chinês, Xi Jinping, acontece em meio a tensões ente as duas principais potências econômicas do mundo — incluindo acusações de Trump de que a China estaria realizando testes nucleares.
O principal objetivo da visita, segundo já afirmou o presidente dos EUA, é tentar fazer com que a China abra mais seu mercado para empresas americanas, mas outros temas também devem ganhar destaque durante a estadia de Trump em Pequim. Entre eles:
a prorrogação da trégua alcançada em outubro na guerra das tarifas;
a guerra com o Irã — Trump quer pressionar Pequim a utilizar sua influência para contribuir para uma saída da crise no Golfo;
a relação dos dois países com Taiwan;
a disputa sobre inteligência artificial e a produção de chips, entre outros.
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Guerra no Oriente Médio segue na mira
As chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuíram após Donald Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”.
O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito e exigiu o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval dos EUA.
As tensões na região continuam a mexer com os preços do petróleo no mercado internacional: o barril do Brent ultrapassou US$ 107 com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.
Autoridades iranianas mantiveram o tom duro e afirmaram que o país pode ampliar seu programa nuclear caso volte a ser atacado.
Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de ajudar o Irã a vender petróleo para a China.
Eleições e taxa das blusinhas
O cenário político brasileiro também fica no radar, em meio à proximidade cada vez maior das eleições presidenciais, que acontecem em outubro neste ano.
Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada hoje, mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente em um cenário de 2º turno. Lula voltou a ficar à frente numericamente, com 42% das intenções de voto. Flávio tem 41%.
Na pesquisa anterior da Quaest, de abril, era o senador quem aparecia à frente. Em março, eles estavam numericamente empatados, com 41% cada. O presidente tinha uma vantagem de dez pontos em dezembro, que depois caiu para sete pontos e janeiro e cinco em fevereiro.
“É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui”, afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
Além disso, o presidente Lula anunciou, ontem, o fim da chamada taxa das blusinhas. O termo é utilizado para se referir ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cobrado através do programa Remessa Conforme.
A medida não muda regras do ICMS, um imposto estadual que também é cobrado nessas compras. Em abril, dez estados elevaram a alíquota do ICMS para essas compras de 17% para 20%.
A cobrança foi iniciada em agosto de 2024, após aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, que foi sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa.
A mudança foi vista como uma medida eleitoreira e coloca atenção ao quadro fiscal do país, uma vez que também representa uma perda de arrecadação para o governo.
Mercados globais
Em Wall Street, os três principais índices americanos operavam em queda nesta quarta-feira (13), conforme investidores repercutiam novos dados de inflação ao produtor nos EUA.
Os dados vieram acima do esperado e voltaram a reforçar a perspectiva de que o Federal reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve manter os juros elevados por mais tempo.
Perto das 11h, o Dow Jones registrava queda de 0,46%, enquanto o S&P 500 caía 0,12% e o Nasdaq tinha perdas de 0,01%.
Já na Europa, as bolsas operavam sem direção única. O índice alemão DAX tinha alta de 0,52%, enquanto o francês CAC 40 caía 0,15%. Já o FTSE 100, de Londres, avançava 0,25%.
Na Ásia as ações de Xangai atingiram as máximas em 11 anos nesta quarta-feira, conforme investidores aproveitavam a queda antecipada do setor de tecnologia antes da reunião entre os líderes dos EUA e da China.
O índice Shangai Composite subiu 0,7%, atingindo o nível mais alto desde julho de 2015. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,2%, e o japonês Nikkei teve ganhos de 0,8%.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo